
Faz
tempo que ouço falar do escritor Marcelo Mirisola, desde a década
de 90, pra ser exato. Mas nunca havia lido nenhum de seus livros,
apenas artigos em jornais, geralmente espinafrando uns e outros.
Acabei
há pouco um romance seu, “Joana a Contragosto”, publicado em
2005 (mais de dez anos!) pela Ed. Record. E devo dizer que gostei
bastante.
O
livro conta a estória de um escritor (mais um menos parecido com o
próprio Mirisola), que se envolve com uma maluquete chamada Joana.
Na verdade ela é que entra em contato com ele dizendo ser sua fã.
Mas além de explicitar sua admiração também lhe manda fotos do
seu belo corpo. O escritor no início pensa ser vítima de algum
trote mas aos poucos percebe que a coisa é de verdade. Ela, a cada
e-mail mandado se mostra cada vez mais solícita e apaixonada. O
escritor, interessadíssimo, resolve viajar ao Rio de Janeiro para
encontrá-la (ele mora em Florianópolis).
Lá
chegando, eles se encontram num hotel fuleiro, à meia-noite, transam
loucamente, e o escritor entrega seu amor e sua alma àquela
desconhecida. A partir daquele momento sua vida estará ligada a de
Joana, desenvolverá uma paixão arrebatadora, que, logo percebe, não
é correspondida. O que era paixão acaba virando obsessão.
Um
resumo destes, reconheço, é muito redutor. “Joana a Contragosto”
apresenta-se ao leitor como um redemoinho que englobasse o
escritor-personagem, a doida Joana, a cidade do Rio de Janeiro, tudo
num fluxo de consiência cheio de idas e vindas no tempo cronológico
dos acontecimentos, de repetições que ressaltam o aspecto obsessivo
do protagonista.
Mas
quem seria esse protagonista? O escritor ou Joana? Ele por nos contar
a história ou ela por fazer com que ela exista? Afinal, o livro todo
gira em torno da sua existência. O narrador, apesar de ser a voz
ativa no livro, não o é em sua própria vida, esta seguindo ao bel
prazer das promessas ou recusas vindas de sua paixão.
Joana
seria uma espécie de Capitu 2.0 movida a cocaína e sexo.
Colecionando parceiros e amando a todos eles, ou ao menos, da boca
pra fora (e da buceta pra dentro).
O
escritor fantasia um futuro amoroso com Joana, filhos, casa, vida em
comum, mostra-se disposto a abdicar de sua arte e de sua condição
de outsider literário para abraçar com gosto a vida mais comum e
convencional em nome desse amor. Mas, Joana, apesar de dizer amá-lo,
o rejeita fisicamente. Aos poucos ele descobre que suas juras são as
mesmas para vários, o que não faz com seu amor por ela recrudesça,
ao contrário, ele sabe que mesmo que nunca mais a veja sempre a
amará.
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